Rock and Roll – A história do gênero que revolucionou a música

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Há quem diga que o rock morreu. Há quem diga que ele apenas esteja adormecido, e há quem defenda que uma tímida renascença roqueira está começando.

Independentemente de qual desses grupos você se encaixe, é impossível discordar do fato de que o rock’n’roll é um dos gêneros mais revolucionários, importantes e atemporais dentro da música.

Vamos ver, neste artigo, como e por que o rock’n’roll tem a importância, presença e relevância que tem, mesmo mais de 60 anos após seu início.

A história do Rock

Você sabe como e onde esse gênero musical surgiu? E como se desenvolveu, passando pelos estilos progressivo, heavy metal e grunge? Vamos ver tudo por partes, a cada década – sem esquecer do rock nacional.

Anos 50 – O princípio

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Bill Haley, um dos primeiros brancos a fazer rock

O surgimento do rock enquanto gênero musical é alvo de muita controversa e sensibilidade. Por muito tempo houve a noção difundida de que Bill Haley e Elvis Presley foram os grandes inventores do rock’n’roll, a partir de uma releitura de elementos da música negra – em especial o blues.

Hoje em dia, portanto, não é bem assim. Com tanto acesso, tanta facilidade de pesquisa e comunicação entre pesquisadores e pessoas que viveram a época, tem-se mais claramente que a criação do gênero foi resultado de um processo gradual e, de certa forma, coletivo.

O que dá para se ter certeza, porém, é que Elvis e Haley não foram os primeiros a fazê-lo – foram, apenas, os primeiros brancos a lançá-lo. E isso, claro, fez do gênero um sucesso.

O Rhythm and Blues

É o nome de onde derivou a sigla R&B. Designava basicamente qualquer música destinada ao público afro-americano, feita pelos afro-americanos. É a principal raiz do rock, em termos de estilo, letras e estética.

Os instrumentos de metal, como o saxofone, foram deixados de lado aos poucos, especialmente no pós-guerra. Nos anos 40, muitos negros faziam o que já era, para vários críticos, o rock. Entre eles, Ike Turner, Sister Rosetta Tharpe e Fats Domino.

Fimdotexto

O assunto é delicado, já que se trata de uma música branca, fruto da apropriação cultural da música negra. O próprio termo rock prova sua origem – veio da cultura gospel negra, se referindo ao estado de transe de rituais da igreja afro-americano, no começo do século XX.

O termo passou a ser usado com sentidos terrenos, até chegar em analogias sexuais. Cantores de R&B falavam de rock (como verbo) desde muito antes de Rock and Roll aparecer no disco homônimo de Wild Bill Moore.

O Rockabilly e o Doo Wop

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Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Carl Perkins e Johnny Cash

O rockabilly foi o estilo de rock’n’roll cantando pelos brancos, principalmente do sul estadunidense. O nome é uma junção de rock com hillbilly (equivalente a “caipira”, pejorativamente), pois a música sulista era chamada de hillbilly music. O rockabilly é reconhecidamente muito influenciado pelo bluegrass e pela música country, tornando o rockabilly um estilo diferente daqueles cantados pelos negros.

São famosos pelo rockabilly artistas como Elvis Presley, Johnny Cash, Buddy Holly e Jerry Lee Lewis.

Já o doo wop era o rock feito principalmente pelos negros (os brancos viriam copiá-lo dali um tempo). Considerado uma forma de R&B, tinha esse nome pelos reconhecíveis backing vocals sem palavras definidas. É, aliás, essa característica que dá o seu nome. Um exemplo célebre é o grupo The Platters, responsável pelo hit The Great Pretender.

Os anos 60

A década de 60 foi decisiva para o rock, firmando seu sucesso na cultura mainstream. Foi nessa época que se desenvolveram diversos estilos de rock, de onde saíram as bandas e músicas mais importantes do gênero musical – e as mais tocadas na história. Foi também quando o estilo começou a impactar e influenciar o Brasil.

Para saber mais sobre a música da época, leia Música dos anos 60: O sucesso que balançou o mundo.

bob dylan e joan baez
Bob Dylan e Joan Baez

A influência do folk

Ao mesmo tempo em que o rock se desenvolvia, o a música folk norte-americana passava por um importante revival que marcou sua história. Foi quando surgiram grandes nomes como Bob Dylan, Joan Baez e a canadense Joni Mitchell.

O folk se caracterizava pelo som acústico, principalmente de violão. Além disso, o folk era centrado no singer-songwriter (o compositor que canta suas canções), em letras reflexivas e de protesto, sempre com a busca pela autenticidade.

Embora o folk e o rock tivessem seus respectivos públicos, os estilos foram trocando elementos. O folk se abriu para a instrumentação do rock, especialmente com Like a Rolling Stone de Bob Dylan, que foi um hit.

A troca foi tão forte que a nova geração folk era de folk-rock – totalmente elétrica e

simon & garfunkel, sounds of silence folk rock
Sounds of Silence, de Simon & Garfunkel – um marco folk-rock

plugada. Grandes nomes do movimento, além de Bob Dylan, foram Simon & Garfunkel, The Lovin’ Spoonful e The Mamas and the Papas.

O rock, por sua vez, além de fazer covers de hits folk, abraçou a ideia da busca pela autenticidade. Também foi reforçada a noção de canções, e várias bandas roqueiras passaram a falar de protesto e reflexões de vida em suas letras.

Rock psicodélico e progressivo

Os anos 60 foram marcados pela contracultura. O rock, a partir da música de bandas como Beatles, Jimi Hendrix e The Who, começou a experimentar com distorções e efeitos. Houve uma importante quebra no formato tradicional do estilo, que ainda se baseava em estrutura de blues e formato pop.

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Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band marca a psicodelia

O psicodélico era inspirado nas drogas psicodélicas, principalmente o LSD. Os efeitos e inserções inusitadas nas músicas eram uma tentativa de escrever, musicalmente, a viagem

do ácido.

O marco da psicodelia foi o Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, de 1967, dos Beatles.

O psicodélico abriu espaço para o progressivo, que teve seu auge de sucesso e qualidade na década de 70. O progressivo era bem mais sério, trazendo mais elementos cultos, como música erudita, jazz e literatura.

Importantes bandas psicodélicas foram: The Doors, Beatles, The Who, Jimi Hendrix e Pink Floyd (que viraria progressivo nos anos 70).

Garage e Surf 

Nos anos 60 os Beach Boys popularizaram o surf rock, que misturava base roqueira com surf music.

Pela América do Norte, começaram as bandas de garagem. O rock de garagem realmente surgiu das garagens dos EUA e Canadá, variando de bandas de um único acorde até outras de excelente qualidade, semiprofissional.

Com a Invasão Britânica, todas essas bandas passaram a copiar as bandas inglesas.

Roots, blues rock e rock sulista

Foi também nos anos 60 que surgiram esses três estilos, que se misturariam em um só anos depois.

Como o estilo sempre esteve alinhado com o blues, não é de se espantar que um blues-rock tenha se desenvolvido. Lonnie Mack é considerado um pioneiro do subgênero, especialmente com seu single Memphis, de 1961.

O blues-rock mantinha o formato tradicional de blues, amplificando e pesando mais o som. A música era mais rápida, especialmente na guitarra. Era o estilo de Janis Joplin, Jimi Hendrix (com power trios), Fleetwood Mack e Rolling Stones. O subgênero também influenciou muito bandas como Led Zeppelin e Pink Floyd, que começou como um grupo de blues.

O roots rock se refere a tudo o que é de raiz, especialmente estadunidense. O estilo se voltava para o country, o folk, as origens. Não é à toa que tenha sido especialmente forte no sul dos EUA. As bandas tinham características forte de blues rock, por vezes de psicodelia.

Seus principais expoentes foram Lynyrd Skynyrd, Creedence Clearwater Revival e a grande The Allman Brothers Band.

Rock no Brasil nos anos 60

O rock nacional nos anos 60 foi um estouro. A Jovem Guarda regravava clássicos traduzidos para o português e criavam hit atrás de hit com Roberto Carlos, Wanderléa e Erasmo Carlos. O rock era, enfim, uma música popular.

Raul Seixas começava sua carreira musical com um grupo bem inspirado nos anos 50.

Os Mutantes traziam toda a psicodelia e a invasão britânica para a MPB, contribuindo para o disco Tropicália. A introdução que fizeram da psicodelia estrangeira à música brasileira foi de grande impacto – ele influencia a música popular brasileira até hoje.

Leia mais sobre MPB no nosso artigo MPB – Tudo sobre a música popular brasileira.

Anos 70

Os anos 70 foram muito especiais para o rock. Não apenas o estilo continuava com sua popularidade, mantendo subgêneros; novos subgêneros e derivados foram criados.

A década é famosa e considerada, por muitos fãs do gênero, a época que contém as melhores músicas de rock de todos os tempos. Além disso, foi a época em que o rock pesado prosperou.

O rock country, sulista e o blues rock, já de sucesso nos anos 60, continuaram nos anos 70.

Leia mais sobre a música dos anos 70 em Músicas dos anos 70: Do Disco às músicas românticas internacionais.

Hard Rock e o Heavy Metal

Apesar de o hard rock ter sido originado nos anos 60, foi na década de 70 que ele se expandiu. O gênero foi para extremos, sendo facilmente dividido entre soft e hard.

O hard rock manteve a semelhança com o blues, porém o som ficou mais pesado. Bandas como Led Zeppelin, Uriah Heep, Rainbow, Nazareth e Deep Purple representam esse som, além de bandas como Queen e seus hits gigantes We Will Rock You e Bohemian Rhapsody.

Ainda no campo do hard rock, deve-se ressaltar Black Sabbath. Iniciada na década de 60, a sonoridade pesada, dissonante e crua da banda foi uma das portas de entrada para o heavy metal. A australiana AC/DC foi também fundamental para o estilo.

A partir daí, bandas como Motorhead, Saxon, Iron Maiden e Judas Priest surgiram no fim da década, configurando a NWOBHM – New Wave of British Heavy Metal nos anos 80. O heavy metal era bem mais pesado, com características próprias de vestimenta (couro e jeans), gestos específicos e um gosto maior pela virtuose vocal e com maior foco nos solos de guitarra. Exemplos disso são Rob Halford e os solos de Iron Maiden.

Derivado de hard rock e heavy metal, teve também o surgimento do Glam e do Shock Rock. David Bowie e Alice Cooper representam, respectivamente, ambos os estilos.

New Wave e Soft Rock

O soft rock era o estilo derivado diretamente do folk-rock. As baladas eram

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Debbie Harry, Blondie

reconhecidamente folk, porém com maior instrumentação roqueira. Foi um estilo popular com muitos artistas e bandas: Cat Stevens, Fleetwood Mack, Rod Stewart, Elton John e Carpenters são alguns exemplos.

A música new wave era uma espécie de synthpop – uma sonoridade com experimentações eletrônicas e sintetizadores. Em termos de atitude (e até de sonoridade), tinha relações com o então nascente punk. Blondie e Talking Heads são famosos grupos new wave.

Rock progressivo

O estilo progressivo teve seu auge no início da década, com grande sucesso comercial. Bandas como Jethro Tull, Pink Floyd e Emerson, Lake and Palmer (ELP) e Yes atingiram o topo das paradas de discos.

O estilo progressivo atingia seu auge estético, com influências psicodélicas, porém com maior seriedade. A virtuose instrumental era o foco, com maior erudição. Influências de jazz, música erudita e de outras etnias entravam, com estruturas complexas.

No entanto, com o surgimento do punk e a mudança de atitude da época, o progressivo entrou em declínio. Suas principais bandas acabaram mudando de estilo eventualmente.

Punk Rock

Sex pistols
Sex Pistols

O punk surgiu com bandas como Sex Pistols, The Clash, Patti Smith e Ramones. Baseado na insatisfação com a sociedade, a partir de um crescente cinismo, o punk desafiava todas as normas. Desafiava, também, os estilos de rock de sucesso, como o mainstream e o heavy metal.

O punk foi responsável pelo desinteresse na virtuose do progressivo e mesmo de grandes bandas, como Led Zeppelin e Rolling Stones. Sua música agressiva, simples e toda a moda em torno do movimento atraíram muito os jovens.

No Brasil

O rock brasileiro dos anos 70 era mais diversificado. Os Mutantes chegavam ao fim, gravando seu último disco, lançado apenas décadas depois, muito influenciados por Yes.

Rita Lee fazia uma música influenciada por Rolling Stones com o Tutti Frutti, e Raul Seixas fazia muito sucesso com sua mistura de rock e ritmos brasileiros. Arnaldo Baptista fazia seu importante disco Loki? e Secos e Molhados traziam elementos do glam.

Anos 80

Os anos 80 não foram uma época de muitas novidades para o rock. A competição com o pop de Madonna, Cindy Lauper e Michael Jackson não era fácil, e a MTV não ajudou muito – de repente um foco em juventude, beleza e atuações deixou bandas clássicas do rock de lado.

No entanto, o hard rock, especialmente a vertente glam, e o heavy metal prosperaram muito.

metallica
Metallica

O heavy metal viu muitos subgêneros criados, com maior relevância para os estilos mais agressivos, como thrash metal e o death metal. Importantes bandas como Metallica, Death, Anthrax, Megadeth e Slayer foram fundadas e/ou fizeram sucesso nessa década.

O rock alternativo, que misturava elementos punk com folk, teve destaque, com bandas como R.E.M e Sonic Youth.

Leia mais em Música dos anos 80: 6 artistas que revolucionaram a década.

No Brasil

O rock nacional foi um fervor nos anos 80. Foi quando surgiram: Paralamas do Sucesso,

barão vermelho
Barão Vermelho

Titãs, Legião Urbana, Barão Vermelho, Blitz, Viper, Marina Lima, Lobão e muito mais. Suas influências eram diversas, e vários desses artistas se distanciavam muito do terreno da MPB.

O estilo era tão grande que a Grandes Galerias, no centro de São Paulo, virava a conhecida Galeria do Rock, principal local de encontro e compras de punks, roqueiros e headbangers por muito tempo.

Em 1985 acontece o primeiro Rock in Rio – considerado o oitavo melhor festival do gênero do mundo.

É também nessa década que é formada a banda Sepultura, a maior banda brasileira de heavy metal.

Anos 90

A década de 90 foi a época do rock alternativo. O gênero começava a se misturar com outros, se distanciando cada vez mais do estilo tradicional. O heavy metal ainda via grande sucesso, e o pop começava a se espalhar. Foi quando surgiu o pop-rock.

Leia mais em Música anos 90: O que marcou a época.

Rock alternativo

Os anos 90 viram uma aproximação muito grande do rock com a música black, em especial o hip hop e funk. São exemplos disso Rage Against the Machine e Red Hot Chilli Peppers.

Outras bandas alternativas de sucesso foram No Doubt, Stone Temple Pilots, Garbage e Hootie and the Blowfish.

Grunge

Os anos 90 são mais conhecidos e lembrados pelo grunge, iniciado por Kurt Cobain, no Nirvana. O grunge era uma espécie de pós-punk, já que o próprio Cobain havia começado tocando músicas punk.

A partir da nova sonoridade outras bandas surgiram: Pearl Jam, Soundgarden, Hole e Alice in Chains fizeram parte do forte movimento grunge. Porém, após a morte de Kurt Cobain o movimento rapidamente se desintegrou, dando lugar ao pós-grunge: uma sonoridade mais pop rock e comercial, com bandas como Creed e Foo Fighters.

Punk e Hard Rock

Os dois estilos passaram por um revival. Green Day e Offspring fizeram enorme sucesso. Bandas de hard como Bon Jovi, Guns N’ Roses e Aerosmith mantinham seu sucesso, e novas bandas como Mr. Big e Extreme lançaram hits.

Anos 2000

O rock e o heavy metal, a partir dos anos 2000, foram saindo do mainstream e/ou ganhando aspectos mais comerciais e mesmo pop.

A música pop, o R&B e o hip hop já faziam muito sucesso, tomando o lugar de músicas pesadas nas paradas. Leia mais sobre isso em Música dos anos 2000 – Parte I – Pop, Hip Hop e R&B.

Bandas com formação roqueira se juntaram a rappers, uma leva de bandas influenciadas por Rage Against the Machine fazia um misto com hip hop – o nu metal surgia. Estilos como o

Emo, metalcore e o pós-grunge foram desenvolvidos, dando mais força ao pop punk e outros similares.

Houve uma retomada das bandas indie e de garagem, cujos principais expoentes foram The Strokes e The White Stripes.

The Strokes marcou a volta do garage rock

Destacam-se, nos anos 2000: Silverchair, Yeah Yeah Yeahs, Radiohead, Evanescence, Limp Bizkit, Linkin Park, Korn, Slipknot, Arcade Fire e The Strokes.

Hoje em dia

Atualmente a música pesada passa por uma baixa. O rock e o heavy metal não estão fortemente nas paradas, embora o gênero ainda influencie muitos artistas pop – até gigantes como Lady Gaga que, recentemente, cantou junto com o Metallica.

A sonoridade roqueira hoje em dia é mais comercial e polida, embora com tentativas de buscar um passado glorioso. É o caso de Halestorm e The Pretty Reckless, constantemente nos topos das paradas mainstream. Tame Impala, embora não tão famosa, é uma banda que revive a época de ouro da psicodelia e do rock britânico.

Muse chegou a trazer um frescor para a cena alternativa, com fortes influências de Radiohead e heavy metal em seu início, rapidamente tomando o caminho mais eletrônico.

O rock e o heavy metal, embora socialmente aceitos, voltaram a ser uma cultura menor na sociedade.

Playlist

Veja (e ouça) algumas músicas que ilustram a trajetória traçada nesse artigo.

Elvis Presley – Hound Dog

Chuck Berry – Johnny B. Goode

The Beatles – A Day in the Life

The Who – Baba O’Riley

Led Zeppelin – Whole Lotta Love

Black Sabbath – Sabbath Bloody Sabbath

Rainbow – Catch the Rainbow

Queen – The Prophet’s Song

Motorhead – Ace of Spades

Pink Floyd – Pigs (Three different ones)

Metallica – Master of Puppets

Lynyrd Skynyrd – Free Bird

Os Mutantes – Uma pessoa só

Patti Smith – Piss Factory

Rage Against the Machine – Bullet in the Head

Alice in Chains – Man in the Box

Mr. Big – Voodoo Kiss

The Strokes – Reptilia

Sepultura – Ratamahatta

Halestorm – I miss the misery

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